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terça-feira, 10 de abril de 2007

CÁ ESTÁ!

A NAER, a própria NAER esclarece que a decisão de construir o novo aeroporto e a decisão da escolha de sua localização, é política.

domingo, 8 de abril de 2007

AEROPORTO POLÍTICO

No passado dia 25 de Março do presente ano fiquei indignado quando soube que o tão conceituado programa “Prós e Contras” de Fátima Campos Ferreira iria discutir no dia seguinte a questão da construção da OTA sob o ponto de vista técnico. Tornou-se para mim óbvio que não interessava de forma alguma convidar actore(s) político(s) simplesmente porque teriam que convidar, naturalmente, a Nova Democracia. Dirigi por essa razão um telegrama à apresentadora do programa (reproduzido mais abaixo). A justificação era oca: a construção da OTA tratava-se de uma questão essencialmente técnica!!!

Então a construção do aeroporto é uma questão técnica? Se o fosse jamais seria construído naquela localização! E não será a técnica que deve estar ao serviço da política e não a política ao serviço da técnica? A resposta é simples e qualquer português com senso percebe que algo de muito grave existe para que se insista em construir aquela aberração. Como já tinha referido aqui neste Blog, tenho fé que a cegueira do Primeiro-ministro e a cumplicidade do Presidente da República não cheguem a bom (aero)porto!

Sandro Neves
Membro da Direcção Nacional da Nova Democracia

Telegrama dirigido a Fátima Campos Ferreira a propósito do debate técnico sobre a OTA:
Exma. Senhora
Dr.ª Fátima Campos Ferreira,

Chamo-me Sandro Neves e sou membro da Direcção do Partido da Nova Democracia. Escrevo a V. Exa. no sentido de manifestar o meu profundo desagrado pelo facto de nenhum dirigente da Nova Democracia ter sido convidado para estar presente no programa “Prós e Contras” de amanhã, dia 26.
A Nova Democracia foi o único e primeiro partido político que em tempo útil colocou em causa o projecto da OTA através da entrega na Assembleia da República de uma petição com mais de 4500 assinaturas apelando à não construção do Aeroporto. Foi também através desta petição que o plenário da AR voltou a discutir esta matéria. Todos estes factos estão registados quer na AR, quer na Comunicação Social.
A falta de um convite a um membro da Direcção Nacional da Nova Democracia demonstra por si só a falta de isenção e rigor jornalístico do programa de V. Exa. Esta falta de rigor contrasta com a imagem de defesa do pluralismo que V. Exa. tanto reivindica.
A RTP sendo uma estação pública comporta-se como um canal privativo de alguns.
Bem sei que a falta de isenção de quem produz o “Prós e Contras” jamais lhe permitirá fazer referência a este meu protesto, mas ainda assim aqui fica o seu registo.

Melhores Cumprimentos,
Sandro Neves
Gabinete de Informação e Opinião Pública
Relações Institucionais

O ADMIRÁVEL MUNDO DA OTA

"A possibilidade de ver surgir mais um “elefante branco” obriga-nos a lembrar duas coisas. Primeiro, os decisores políticos sairão sempre beneficiados com uma obra desta dimensão, sendo que não é seguro que sobre ela venham a prestar contas. Os benefícios têm lugar no curto prazo, a avaliação global só é possível a médio prazo. Não é por acaso que ‘accountability’ é dificil de aportuguesar (e recorde-se como a governação, em Portugal, parece ser cada vez mais um mero trampolim para voos mais desejados). Segundo, existe uma incerteza grande quanto aos benefícios do projecto. Quer a procura da gratificação imediata, quer o excesso de optimismo, incentivam o decisor político a ser favorável a projectos que deveriam ser chumbados."
Tiago Mendes, num artigo imprescindível, no Diário Económico.

sexta-feira, 6 de abril de 2007

A OTA É UM PROBLEMA POLÍTICO

Está na moda considerar que a construção de um aeroporto na Ota é um problema técnico e não um problema político. Será um problema técnico, mas é antes de tudo um problema político. Não é inocente a moda. A intenção é óbvia: se a construção do aeroporto é um problema técnico e não político, então ele deve ser discutido apenas técnicos, os engenheiros. E se assim é, quem decide a sua construção e escolhe o local não é responsabilizável pela decisão que vier a tomar. A moda, numa palavra, convém ao Governo.Lamento, mas não me parece que a decisão de construir o aeroporto e na Ota seja uma mera tecnocracia. Não. Por várias razões.Em primeiro lugar porque ela significa afectar uma gigantesca quantidade de recursos nacionais, que são especialmente parcos, e de forma irreversível. Ainda ontem ficámos a saber que a redução do défice fez-se à custa do aumento das receitas e não da diminuição das despesas. O socialismo no seu pior. O que quer dizer que o Governo falhou na reforma da despesa do Estado. Pelo contrário, descontrolou- ainda mais. Ora, nestas circunstâncias, é a Ota a solução mais em conta? Não haverá outras mais baratas? Há. Assim se divulguem todos os relatórios sem medo nem deturpação.Em segundo lugar, porque ao decidir afectar esses recursos isso significa que há outras coisas que não vão ser feitas. Não deixa de ser chocante que um país que não tem dinheiro para fazer a manutenção e as reparações nas suas pontes, que a segurança exige (lembram-se de Castelo de Paiva e dos relatórios que a seguir se fizeram sobre o assunto?), se disponha a gastar não se sabe bem quanto numa solução cara e dispendiosa.Em terceiro lugar, porque a escolha do local significa uma opção de desenvolvimento que beneficiará uns e prejudicará outros e deve ser discutida. É um debate político relevante o de saber se, no final, a localização beneficia ou prejudica o país. Se for na Ota, isso significa que mais uma vez o país desiste do Sul e acentua o desequilíbrio regional já visível. Se for em Rio Frio isso significa uma maior diversificação na ocupação do território, com aparentes benefícios do ponto de vista do equilíbrio do todo nacional. Um aeroporto destes é por si só uma nova centralidade. Atrairá economia e população. Ignorá-lo pode ser próprio de técnicos mas é um erro político.Por tudo isto o argumento do problema técnico é um logro. Se me dão licença os polícias da tecnocracia de serviço, eu gostava de ter uma palavra a dizer. Como qualquer cidadão.

(publicado na edição de 30.03.2007 do Diário de Aveiro)